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Repartição da Saúde Familiar

AVALIAÇÃO DAS UNIDADES SANITARIAS

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SUMÀRIO EXECUTIVO

Desde há vários anos, a OMS juntamente com outras agências internacionais

promovem o desenvolvimento de programas e actividades com a finalidade
de rectificar o desequilíbrio e iniquidade existentes na área de saúde infantil.
Neste âmbito, em meados da década de 90 a OMS em colaboração com o
UNICEF desenvolveram um modelo de Atenção Integrada às Doenças da
Infância (AIDI) destinada aos serviços de saúde do nível primário nos países
com uma mortalidade infantil superior a 40 por 1000 nascidos vivos.

Os objectivos da estratégia AIDI são a redução da elevada mortalidade em
crianças com idade inferior a 5 anos, a melhoria da qualidade, da eficácia e
da eficiência da atenção nos serviços de saúde, a melhoria das práticas que
dizem respeito à família e a comunidade, assim como da atenção prestada
através do sistema de saúde. A AIDI é uma abordagem integrada à
sobrevivência, crescimento e desenvolvimento das crianças.
A AIDI tem três componentes: melhorar as competências dos profissionais de
saúde, melhorar a prestação do sistema de saúde e melhorar as práticas
familiares e comunitárias.
Apesar do progresso alcançado nos programas dirigidos a doenças
específicas como a malária, doenças diarreicas, infecções respiratórias
agudas, doenças preveníveis pela vacinação, e causas neonatais, a situação
de saúde perinatal e infantil em Mocambique não é ainda satisfatória, não
obstante o enorme esforço desenvolvido pelo MISAU.
De acordo com o IDS (2003), a taxa de mortalidade neonatal é de 48 por
1000 nados vivos, a de mortalidade infantil (TMI) de 125 por 1000 vivos e a
de mortalidade em menores de cinco anos de 178 por 1000 nados vivos.
Para além dos problemas neonatais, a Malária, Doenças Diarreicas,
Infecções Respiratórias Agudas, Sarampo, Malnutrição e HIV/SIDA,
constituem as principais causas de morte e de doença neste grupo etário,
padrão epidemiológico que não difere muito na Região Austral de África. A
AIDI engloba todas estas condições e mais.
O Ministério da Saúde em parceria com a OMS, UNICEF, USAID e outras
agências está a implementar AIDI desde 1998 de forma gradual, actualmente
130 distritos de 148 estão cobertos com esta estratégia.
Com o objectivo de avaliar a qualidade de cuidados de saúde prestados a
crianças menores de 5 anos nas Unidades Sanitárias que implementam a
AIDI e usar os resultados e recomendações para melhorar a implementação
da AIDI no país, bem como de criar capacidade nacional em técnicas de
Inquérito de Unidades Sanitárias, foi conduzida uma Avaliação das Unidades
Sanitárias em 2005.
Avaliação das Unidades Sanitárias, Moçambique 2005 7
Metodologia
Inquiridores com experiência no manejo clínico de AIDI foram treinados por
consultores da OMS em conjunto com o pessoal da Secção de Saúde Infantil
do Departamento de Saúde da Comunidade do MISAU. Os inquiridores foram
preparados para conduzir o inquérito e para avaliar o seguinte:
1. Observação das habilidades dos trabalhadores de saúde no manejo de
casos;
2. Satisfação dos utentes e entendimento da informação recebida na
consulta
3. Doença da criança após exame feito pelo inquiridor
4. Disponibilidade de equipamentos, materiais e medicamentos nas
unidades sanitárias.
As equipas visitaram 8 províncias. Cada equipa era constituída por 4
elementos.
Resultados
O presente inquérito mostrou uma evolução positiva em relação ao inquérito
anterior levado a cabo em 2001. Os indicadores prioritários, como a
avaliação de três sinais de perigo, índice de manejo integrado, observação
para a tosse, diarreia e febre, observação do estado de vacinação mostram
progressão quando comparados com 2001, respectivamente de <1% a 25%,
4.7 a 6.9, de 47% a 78,8% e de 76% a 76,4%. Em relação ao tratamento,
verificou-se que 91,9% de crianças não necessitando de um antibiótico
deixam a unidade sanitária sem ele. As crianças necessitando de um
antibiótico oral/ ou um antimalárico oral é correctamente prescrito o
medicamento em 48,1%.
Duma maneira geral, a disponibilidade de medicamentos é boa, em mais de
80% de todas as unidades sanitárias visitadas, e quase todas tinham
disponibilidade de meios para apoiar o Programa Alargado de Vacinações.
Em 73.8% das unidades sanitárias tinham disponíveis as vacinas de BCG,
DPTHepB, Polio e Sarampo. Os Cadernos de Mapas de AIDI estavam
disponíveis em 74.6% das unidades sanitárias visitadas. Todo o equipamento
essencial (material para mistura de SRO, colheres, balanças, água, etc.)
estavam disponíveis em mais de 70% da unidades sanitárias.
Existem contudo, áreas que merecem ainda muita atenção, nomeadamente:
O manejo integrado das crianças doentes ainda é muito baixo. Como
resultado, somente um quarto das crianças foram observadas para os
três sinais de perigo. Cerca de 30% não foram avaliadas para os sinais
mais comuns (tosse, diarreia e febre).
De uma forma geral, a área de aconselhamento foi a mais fraca nas
consultas das crianças doentes. Embora no geral os trabalhadores de
saúde e o pessoal de farmácia dessem instruções apropriadas sobre
como administrar a medicação em casa, poucos casos eram
acompanhados de demonstrações de como o medicamento deve ser
Avaliação das Unidades Sanitárias, Moçambique 2005 8
dado. Essa demonstração é feita pelo técnico da farmácia fora do
gabinete de consulta.
Se cerca de metade dos trabalhadores de saúde explicam às mães ou
acompanhantes das crianças doentes como tomar os medicamentos,
somente 10% explicam quando voltar imediatamente à US e a continuar a
alimentar e a dar mais líquidos.
Finalmente, o aconselhamento correcto às mães das crianças com
muito baixo peso foi em 43,6% , a avaliação das práticas de alimentação
e o aconselhamento a crianças menores de 2 anos foram no geral muito
fracos.
Nenhuma criança menor de 2 anos de idade deveria deixar a unidade
sanitária sem ser avaliada em relação aos problemas de alimentação.