A Província da Zambézia representa 13% da superfície total do país, o que significa que é a 2ª maior Província. Estima-se que é a mais populosa, albergando um total de 3.794.509 habitantes em 2006 perto de ¼ da população Moçambicana.
O Perfil epidemiológico continuou a ser caracterizado pelas doenças infecciosas com destaque para a Malária, doenças diarreicas, HIV/SIDA, Tuberculose.
A rede sanitária ainda está aquém para responder a real procura dos serviços. Apenas cinco (5) Distritos o correspondente a 29% tem uma Unidade Sanitária do nível Secundário. A capacidade de internamento geral e de apoio ao diagnóstico laboratorial fora das sedes distritais é bastante fraca e a razão de 22.761 habitantes por Unidade Sanitária no primeiro nivel continua alta.
O consumo de serviços por habitante aumentou o que leva a considerar que melhoraram os níveis de acesso aos serviços de saúde primário em quase todos distritos. Os indicadores de disponibilidade de recursos mostram que há uma necessidade de incrementar para inverter a actual relação de mais de 2.336 habitantes por cama.
Foi dado importante passo a reabilitação e ampliação. Das obras planificadas destaca-se a conclusão da reabilitação e ampliação do Posto de Saúde de Magiga para Centro que entrará em funcionamento ao largo do 1º trimestre de 2007. Várias obras estão em curso dentre as quais seis Centro de saúde tipo II que aguardam a sua conclusão com financiamento da s ONG, s/Parceiros.
E ainda na rede sanitária cinco (5) obras de ampliação e reabilitação das sedes de Namacurra, Nicoadala, Morrumbala, Maganja da Costa e Milange, aguardam a sua conclusão no primeiro semestre 2007. Neste momento aguarda-se por parte dos órgãos centrais a adjudicação das catorze Unidades Sanitárias 8 º FED. Também em 2006 terminou a primeira fase de construção do novo Instituto de Ciências de Saúde.
Os casos de cólera atingiram a fasquia de 781 representando uma redução em cerca de 200 casos. Esta redução é progressiva a começar por 2004 ano em que se verificou o pico de 1.399 casos.
Os casos suspeitos de raiva está cada vez mais a aumentar apesar dos esforços que vêm sendo conjugados pela DPS, DPA e governos distritais na intensificação de acções de vacinação e abate de cães vadios os casos aumentaram de 219 em 2002 para 1.386 em 2006.
As diarreias e a desinteria também registaram um considerável crescimento, situação que se observa nos últimos cinco anos e que se crê estar relacionada com a fraqueza das condições ambientais ligadas ao saneamento do meio, o alto nível freático e o deficiente abastecimento de água potável.
Os casos notificados de HIV/SIDA apontam para uma evolução na ordem de 55% e os óbitos em 58% de 2005 para 2006 para uma taxa de letalidade de 12%. Este aumento pode ser explicado pelo incremento de novos serviços nesta área. Todos distritos tem neste momento serviços integrados de atendimento e testagem em saúde, prevenção da transmissão vertical e tratamento atiretroviral embora a maior parte desses serviços esteja a funcionar em condições inadequadas. Todos os Distritos introduziram o tratamento antiretroviral em Setembro de 2006 perfazendo agora 3.202 pacientes em tratamento assistidos por 154 profissionais de várias categorias treinados para o efeito.
A situação de Sarampo pode-se considerar como controlada, em 2006 apenas foi notificado um caso contra 467 de 2005 sem nenhum óbito o que leva a crer que seja resultado da campanha nacional de vacinação realizada em 2005.
A lepra reduziu de 4,4 em 2005 para 2,3 casos em cada 10.000 habitantes como resultado do reforço da formação do pessoal de Fisioterapia e outro pessoal na prevenção e reabilitação das incapacidades e deformidades bem como a intensificação de acções de envolvimento comunitário na luta contra esta doença.
A taxa de baixo peso a nascença decresceu de 13,8% em 2002 para 11,5% em 2006 mas ainda continua muito acima do normal em todos os Distritos com excepção de Milange que se situa abaixo de 7%. Os esforços de formação de grupos de mães em matérias de nutrição e a introdução do novo protocolo de tratamento da desnutrição ditaram a redução de casos de 1.608 em 2005 para 1.456 casos em 2006 e a letalidade de 9,8% para 8,2% no mesmo período. Outra razão que pode ser apontada é a melhoria da situação de segurança alimentar em 2006 depois da forte estiagem que assolou a província em 2005.
A situação mostra também relativas melhorias da taxa de crescimento insuficiente de 9% em 2002 para 6% em 2006 apesar da situação ter piorado nos distritos de Chinde, Inhassunge, Nicoadala e cidade de Quelimane. Em relação à qualidade importa referir que em algumas Unidades Sanitárias periféricas o controle de crescimento é feito por pessoal serventuário por falta de pessoal Técnico.
Durante o ano de 2006 foram construídas 1.742 latrinas significando uma evolução na ordem de 92% comparando com igual período do ano transacto o que revela que a comunidade já percebe a necessidade do uso das latrinas.
O lixo nas cidades e vilas é recolhido pelo Município e pelas administrações distritais e depositado em aterros sanitários e nas restantes áreas o lixo é depositado em cursos de água ao céu aberto constituindo perigo para a saúde pública. Das Unidades Sanitárias apenas o Hospital Provincial e os Hospitais Rurais de Mocuba, Gurue e Alto-Molocué dispõem de incineradoras para o tratamento biomédico.
No que diz respeito à água nas Unidades Sanitárias todos Hospitais possuem água canalizada exceptuando o de Milange que se encontra em obras mas esta componente está prevista no projecto. E na rede primária apenas 1,9% dispõe de água canalizada.
As actividades de inspecção sanitária incidiram sobre os mercados, lares, matadouros, padarias, talhos e escolas com vista a garantir que os produtos cheguem ao consumidor em boas condições e duma maneira geral houve uma evolução de 84,6% no volume das actividades de 2005 para 2006.
Em 2006 a situação de acidentes de trabalho na província tendeu a deteriorar-se. Os dados mostram que os casos aumentaram numa proporção de 65% o que sugere a necessidade de se intensificarem as acções de saúde ocupacional.
Todas as sedes distritais oferecem cuidados obstétricos essenciais básicos e os Hospitais Rurais de Gurué, Mocuba e Alto-Molocué oferecem cuidados completos.
O PAV alcançou coberturas aceitáveis nos últimos três anos situando-se a níveis iguais ou superiores à 80%. No entanto os Distritos de Pebane, Maganja da Costa e Chinde ainda precisam de maior atenção.
No que diz respeito a redistribuição do pessoal a Província apostou na colocação de pessoal da área preventiva tendo em conta as necessidades de cada distrito o que contribuiu bastante para a cobertura regional nos serviços de imunização e actividades de Saúde Pública em geral mas prevalecem ainda problemas de perca de oportunidade na recolha de informação sobre crianças completamente vacinadas.
Durante o ano de 2006 foram estendidas as acções de PIDOM para Mocuba e Morrumbala que antes estavam circunscritas apenas à cidade de Quelimane e aos distritos de Nicoadala e Namacurra. No total foram atingidas 201.631 casas das 193.215 previstas representando 104% de cobertura.
O total das dotações para 2006 foi de 312.145.587,23Mts sendo o Orçamento do Estado a fonte que contribuiu com uma cifra de 59,7%. Em relação aos fundos disponíveis os salários absorveram 38,4% seguindo-se os bens e serviços com 24,7% e 19,6%, respectivamente. A contribuição das ONGs foi de apenas 0,8%.
Quanto à execução de fundos realce vai para o OE que superou as expectativas. Com a introdução no mês de Julho da aplicação E-SISTAFE reduziu-se largamente o período de espera pela liquidação dos processos de contas que antes estava ao cargo da DPPF. Neste momento o único constrangimento tem a ver com a operacionalidade dos próprios computadores instalados para o SISTAFE que tem estado a experimentar constantes avarias devido à obsolescência da instalação eléctrica do edifício da DPS.