Saúde Infantil

Na Cimeira do Milénio que decorreu em 2000, foram definidas as metas de Desenvolvimento do Milénio, dentro das quais duas relativas à mortalidade materna e infantil (Meta 4 e 5). Como resposta a elevada morbilidade e mortalidade materna e infantil, Moçambique aderiu a esta iniciativa com o objectivo de acelerar os esforços para melhorar a saúde materna e reduzir a mortalidade infantil.

No PARPA II estão bem definidas as estratégias para a melhoria da saúde materna e infantil. É neste contexto que o PES 2006 definiu as grandes acções que foram em parte realizadas pelo Programa, sendo a redução da Mortalidade Neonatal e Infantil umas das prioridades do Ministério da Saúde.

1. OBJECTIVOS GERAIS:

? Reduzir a morbi-mortalidade neonatal, infantil e juvenil;

? Aumentar a disponibilidade e o acesso à qualidade dos serviços prestados à criança;

? Reforçar a integração dos serviços de atendimento à criança;

? Promover o envolvimento da família e da comunidade nas acções de promoção da saúde da criança;

2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:

? Reduzir a morbi-mortalidade neonatal, infantil e juvenil, devido às principais causas de doença e de morte nestes grupos etários;

? Melhor os cuidados prestados ao recém-nascido;

? Melhorar a qualidade de atendimento à criança sadia e doente;

? Estabelecer mecanismos para uma integração inter e intra sectorial efectiva;

? Melhorar a capacidade de planificação, gestão e de monitorização dos serviços de atendimento à criança;

? Estabelecer padrões e critérios de qualidade dos serviços prestados à criança.

O Programa de Saúde Infantil , numa perspectiva de integração realizou um processo contínuo de coordenação de actividades com a Saúde Reprodutiva, Nutrição, PAV, Malária e HIV/SIDA, cujas actividades estão estreitamente ligadas ao atendimento à criança sadia e doente.

A componente infantil compreende:

§ Atenção ao Recém Nascido

§ Atenção Integrada às Doenças da Infância (AIDI)

§ Atenção à Criança Sadia e Controle do Crescimento

§ Nutrição Infantil

§ Imunizações em criança

Estes Programas têm actividades incorporadas no PARPA II, Programa Quinquenal do Governo, Plano Económico e Social (PES) e nos Programas sectoriais do DSC.

PRINCIPAIS ACÇÕES REALIZADAS NO ÂMBITO DO PES:

ü Os serviços neonatais foram expandidos para cerca de 700 US com Maternidade e Hospitais Rurais, perfazendo 40% das US.

ü Foi expandida a estratégia AIDI para cerca de mais de 500 US de nível primário, perfazendo 90% das US existentes

ü Foram realizadas actividades comunitárias nos Distritos expandindo a AIDI Comunitário à mais 50% das comunidades rurais com o apoio das ONG´s nacionais e estrangeiras.

ü Foi efectuada a lista de Carga Tipo no âmbito da eficiência no uso de recursos

ü Foram realizados Cursos sobre Cuidados Essenciais ao Recém Nascido, em pacote único ou combinado com COEm, sendo formados mais de 700 trabalhadores de saúde e cursos de AIDI sobre manejo de casos e seguimento, perfazendo um total de 400 profissionais de saúde treinados neste pacote.

A matriz abaixo ilustra as formações realizadas pelas províncias sobre os Cuidados ao RN, AIDI e capacitação de ACS.

Províncias

Total US

US c/ AIDI

Pessoal treinado em CERN

Pessoal treinado em AIDI

Pessoal treinado em AIDI -C

ONG´s

Maputo-Cidade

41

41

18 ESMI CERN e 189 ESMI Cuidados RN conj. COEm

106

0

Universidade Columbia, Pathfinder

Maputo -Província

54

       

Pathfinder

Gaza

122

109

70

288

73% CLC´s c/ ACS

45 ACS (100%)

132 reciclados (52%) ACS em AIDI-C, 102 (30%) novos ACS,77 (21%) em AIDI -C

Word Relief, Projecto Hope (Projecto Lissima), Save the Children

Inhambane

105

105

48

194

46 líderes comunintários

 

Sofala

137

137

148

148

 

Food for Hungry, HAI

Manica

80

80

     

HAI

Tete

100

100

47

137

40 parteiras tradicionais

 

Zambézia

175

 

48

11

 

Visão Mundial

Nampula

194

193

14 ESMI

48

252 Grupos Conselhos Líderes Comunitários (CLC) 606 activistas em AIDI –C; 287 ACS

Save the Children/US, Projecto Okumi

Cabo Delgado

96

96

59

138

22 ACS Distrito de Montepuez

Medicus Mundi, Medicos del Mundi (Catalunha) Aga Khan

Niassa

142

142

0

0

   

TOTAL

1246

431

73

334

   

No âmbito do fortalecimento da capacidade de formação do pessoal foram realizadas as seguintes actividades:

ü Foi elaborado o manual sobre Cuidados Essenciais ao Recém Nascido, para o pessoal de SMI

ü Foi distribuida a todas as províncias a brochura sobre o Método Mãe Canguru e as Revistas The Lancet Neonatal Series traduzidas

ü Foi actualizado o Caderno de Mapas de AIDI

ü Foi distribuído às instituições de formação o Manual de AIDI- Formação Inicial

ü Foram realizados 3 Seminários Nacionais, um sobre Monitoria e Supervisão Integrada em Saúde Infantil, com assistência técnica da OMS, outro sobre Actualização dos Manuais de AIDI com novas componentes, como HIV/SIDA e Recém Nascido, também com assistência técnica da OMS, outro sobre Discussão do documento da Política de Saúde Neonatal e Infantil, com apoio da OMS, UNICEF e Forte Saúde/USAID e uma Reunião Nacional sobre a Saúde Neonatal, não planificada, a qual teve apoio da Save the Children/US.

No âmbito da Monitoria e Avaliação do Programa:

ü Foram realizadas Visitas de supervisão a 7 províncias programadas.

ü Foram elaborados os instrumentos de monitoria do Programa, incluindo as Fichas Neonatais a todos os níveis e enviadas ao DIS para a inclusão no SIS. Foi elaborada a lista dos indicadores de Monitoria e Avaliação do Programa de SI.

Outras actividades realizadas pelo Programa:

ü A SI participou em Reuniões Regionais sobre Inclusão do RN nos Programas de Saúde Infantil e Monitoria e Supervisão Integrada em SI em Harare, Reunião de Peritos sobre Imunização na Região Africana, em Maputo e ainda participou na elaboração do Road Map que inclui a atenção neonatal e infantil.

ü Foi finalizado o documento de Política de Saúde Neonatal e Infantil, o qual foi discutido de forma participativa em Seminário Nacional para melhoramento e comentários.

ü Iniciou-se o processo de elaboração do Plano de Acção para melhoria da Qualidade dos Serviços de Saúde Sexual e Reprodutiva e Saúde Infantil

ü Iniciou-se o processo para o fortalecimento do MISAU em Gestão e Liderança, Ambos processos beneficiaram de apoio da Forte Saúde/USAID.

Durante o ano houve um apoio efectivo da OMS, UNICEF, USAID/Forte Saúde, Save the Children/US, Elisabeth Glaser Pediatrics Aids Foundation e outras ONG’s nas Províncias.

O processo de implementação das actividades ao nível provincial melhorou, particularmente no que respeita ao atendimento da Triagem de Pediatria e Cuidados ao RN nas unidades sanitárias do 1º nível e de referência. Os cursos de formação tiveram apoio de médicos pediatras do nível central e também das Províncias.

Ao nível central deu-se ênfase na elaboração dos indicadores a serem incluídos no SIS, incluindo os dados do RN a todos os níveis, pois o Programa contempla apenas 2 indicadores das consultas preventivas dos 0-11 meses e dos 0-4 anos, o gráfico abaixo ilustra a evolução dos mesmos ao longo dos anos.

Relatório de Saúde infantil 2007

Tomando em conta o conceito amplo de saúde, preconizado pela OMS, que implica, não apenas na ausência de doenças, mas no estado de completo bem-estar físico, mental e social, podemos considerar que, apesar dos avanços registados, a garantia da saúde das crianças constitui-se ainda um grande desafio para Moçambique.

Nas últimas décadas, tem se registado, no país, uma redução contínua das taxas de mortalidade neonatal, infantil e infanto-juvenil, contudo, essas taxas continuam ainda bastante altas. De acordo com o IDS de 2003, a taxa de mortalidade neonatal é de 48 por 1000 NV, a de mortalidade infantil de 125 por 1000 NV e a de mortalidade infanto-juvenil de 178 por 1000 NV. Notam-se também grandes disparidades nessas taxas entre as províncias, sendo as províncias da região norte as que apresentam taxas mais elevadas.

Apesar da limitação de dados sobre a mortalidade neonatal, infantil, infanto-juvenil, bem como de crianças mais velhas, na comunidade, há indicações que ela deve-se em parte à rede sanitária insuficiente e ao fraco sistema de referência. Tem-se sentido necessidade de conhecer melhor a situação de saúde das crianças até aos 10 anos, as principais causas de morbilidade e os problemas sócio-psicológicos que afectam essas crianças.

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