I. Historial
Em Setembro de 1979, por ocasião da 19a Sessão do Comité Regional de Africa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da 1a reunião dos Ministros da Saúde dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP´s), ambas realizadas em Maputo, foi solicitado o apoio da OMS para a criação de um centro de formação e investigação em Saúde Colectiva para servir o conjunto destes países.
Em 3 de Dezembro de 1983, é assinado em Brazzaville, entre a OMS e o Governo de Moçambique, o acordo para a criação do CRDS – Maputo, que veio a ser inaugurado em 14 de Julho de 1985.
Na sua evolução como instituição ao longo de duas décadas, manteve os princípios de actuação para os quais foi criado, entretanto, prepara-se actualmente para uma mudança que visa adaptar-se a nova realidade do país.
II. Objectivos e Missão
O documento de base aprovado em 1979 pelo conjunto de países da Região Africana da OMS, define o CRDS como um “centro de formação complementar e de investigação em saúde colectiva, baseado essencialmente no processo gestionário para a saúde” , constituindo assim, “um instrumento básico para o desenvolvimento sanitário nacional, orientado para a obtenção do objectivo social Saúde para todos”.
O CRDS serve aos PALOP’s e à Guiné Equatorial. No seu mandato tem como objectivos institucionais:
a) Colaborar com as estruturas de saúde dos países beneficiários na formação permanente de quadros competentes e aptos a responderem pela gestão e programação sanitária, dentro do contexto sócio-cultural, político e económico de cada país;
b) Contribuir para a promoção da investigação cientifica, no campo das ciências sociais e biomédicas, bem como sobre a organização dos serviços de saúde para o desenvolvimento sanitário, orientando-se no sentido de adequar a prestação de cuidados de saúde às necessidades reais das populações.
c) Apoiar a formação e investigação para o desenvolvimento sanitário especialmente orientado segundo os seguintes vectores:
· Actividades que contribuam duma maneira positiva para a obtenção do objectivo social “Saúde para Todos”;
· Gestão racional do sistema de saúde.
d) Desenvolver a cooperação entre os países da região em especial entre os de Língua Oficial Portuguesa, bem como a colaboração com as instituições e organizações nacionais, internacionais e intergovernamentais que participam no desenvolvimento socio-económico.
III. Áreas de actuação
Considerando a necessidade de se constituir uma massa critica de líderes para o desenvolvimento sanitário nacional, o CRDS desenvolve as suas actividades tendo em conta a linha política da OMS adoptada pelos estados membros cujos domínios de actuação são:
IV. Parcerias
V. Projectos
Desde há dois anos que o grande desafio do CRDS é a sua transformação em uma instituição de nível superior de modo a que possa acreditar os seus formandos após a formação.
Vários contactos foram mantidos, quer com a Direcção máxima do Ministério de Saúde (MISAU), quer com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), que culminaram numa primeira fase numa consultoria sobre o processo. Nesta consultoria as linhas de consenso são que o CRDS se proponha a realizar como mandato da nova instituição em criação as seguintes actividades:
· Bacharelato/Licenciatura em Saúde Publica;
· Formação contínua.
No âmbito do acompanhamento dos técnicos formados pelo CRDS, uma pesquisa operacional está a ser realizada em todas províncias do país, para avaliar o impacto dos cursos ministrados no CRDS e na actividade dos profissionais de saúde.
Esta iniciativa é de importância para o processo de auto-avaliação institucional, revisão da qualidade dos cursos através da identificação de factores ou componentes dos planos de formação necessitando de alterações ou melhorias.
VI. Trabalhos de Investigação
O CRDS no âmbito da sua actividade principal de formação continua a profissionais de saúde, realiza anualmente vários estudos de investigação, no contexto do treinamento no terreno dos formandos, dentre os quais destacam-se alguns recentes:
“Aderência ao tratamento anti-tuberculose na Província de Gaza”
Resumo do trabalho: Estudo de caso controle para determinação de factores que contribuem para o abandono do tratamento anti-tuberculose. A partir do estudo pôde-se concluir que a emigração para Africa de Sul, a localização da residência a mais de 20 km de distancia da unidade sanitária, a falta de transporte são factores de risco para a não aderência ao tratamento da tuberculose na Província de Gaza. Recomendou-se maior intervenção no âmbito da educação dos pacientes e familiares para a aderência e a participação de activistas e líderes comunitários no processo de alocação dos medicamentos em áreas mais distantes.
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Conhecimentos, Atitudes e Praticas em Relação à Meningite no Quartel de Munguíne”
“Factores associados a baixa cobertura de partos institucionais no distrito de Marracuene”
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Avaliação do nível de cobertura vacinal nas crianças de 0-35 meses de idade no distrito de Magude”
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Conhecimentos, Atitudes e Praticas em relação a Sífilis em Jovens dos 15 aos 24 anos em Moamba.”
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“ Factores associados à falta de motivação do pessoal de saúde em três centros de saúde da província de Maputo”
· Autores: Américo Pinto, Américo Monjovo, Assina Muatamurro
· Resumo do trabalho: Estudo descritivo transversal usando o método de entrevistas semi-estruturadas, feitas ao pessoal de saúde das unidades sanitárias. Concluiu-se que 30% não se encontrava satisfeita ou motivada na sua actividade profissional, os factores implicados foram a sobrecarga e condições de trabalho, ausência de progressão nas carreiras, formação contínua e o baixo salário. Recomendou-se uma avaliação coerente da política de recrutamento de pessoal e de progressão na carreira, aumento dos esforços para a disponibilização de recursos materiais e melhoria das condições salariais.
· Local de realização: Manhiça, 3 de Fevereiro e Maragra – Província de Maputo
· Colaboradores: Dr. José Davuca (tutor) e Direcção Provincial de Saúde de Maputo.
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Prevalência, despiste e tratamento da sífilis em mulheres grávidas em três distritos da província de Maputo”
· Autores: Artur Natimele, Fenias Benhane, Francisco Frumeiro
· Trabalho em fase de recolha de dados.
· Resumo do trabalho: Estudo descritivo transversal, usando uma metodologia mista de entrevistas a mulheres grávidas a saída da consulta pré-natal, observando os livros de registro da consulta/laboratório para avaliar o grau de despiste e prevalência da sífilis em mulheres grávidas, e o seu tratamento.
· Local de realização: Moamba, Manhiça e Xinavane – Província de Maputo
· Colaboradores: Dr. Manuel Cotiro (tutor) e Direcção Provincial de Saúde de Maputo.
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Avaliação da utilização dos serviços pré-natais, parto e consulta pós parto no distrito de Magude”
· Autores: Juninho Alexandre, Jossefa Saveca, Morreira Salasmandane, Siluco Lissene
· Trabalho em fase de recolha de dados.
· Resumo do trabalho: Estudo descritivo transversal para avaliar a medida em que a população do distrito usa os serviços de acompanhamento desde o pré parto ao pós parto, usando os registros hospitalares e o método de entrevistas directas e semi-estruturadas a mulheres na comunidade.
· Local de realização: Magude – Província de Maputo.
· Colaboradores: dra. Benedita Silva, e Direcção Provincial de Saúde de Maputo.
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
“Aceitabilidade do tratamento intermitente preventivo para malária com Sulfadoxina e Piremetamina em mulheres grávidas em dois distritos da província de Maputo”
· Autores: Inácio Mbalate, Esperança Vasco, Kabongo Oliver
· Trabalho em fase de recolha de dados.
· Resumo do trabalho: Para avaliar a aceitação que o novo tratamento para a profilaxia da malária está a ter nas mulheres grávidas, idealizou-se um estudo descritivo transversal, usando entrevistas semi-estruturadas e discussões com grupos focais.
· Local de trabalho: Manhiça, Moamba – Província de Maputo.
· Colaboradores: Dr. Nelson Cuamba, Dra. Sónia Enosse, e Direcção Provincial de Saúde de Maputo.
Financiadores: Orçamento Geral do Aparelho de Estado (OCGE)
· Autores (Equipa Moçambicana): Brigitte Bagnol, Esmeralda Mariano, Francisco Mbofana, Hipólito Nzwalo, Fátima Simão.
· Trabalho em fase preparatória.
· Resumo do trabalho: Estudo multinacional (Moçambique, Africa do Sul, Tailândia e Indonésia), coordenado pela OMS, para quantificar a prevalência das praticas vaginais (exemplo: “elongamento dos lábios menores”, inserção de substancias na genitália interna/externa etc.), com implicações na aceitação do uso do preservativo, microbicidas e muito provavelmente aumentando o risco de transmissão do HIV.
· Local de trabalho: Província de Tete (Moçambique)
· Colaboradores: ICRH (Maputo/Quénia) -Universidade de Ghent.
Financiadores: UNDP/UNFPA/WHO/World Bank Special Programme of Research, Development and Research Training in Human Reproduction.